Justiça Federal realiza oitiva de médico legista e bombeiros no Caso Brumadinho

Dando continuidade às audiências de instrução e julgamento dos processos criminais relacionados ao rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho, a Justiça Federal de Minas Gerais realizou, na tarde de segunda-feira (6/4/2026), a oitiva de três testemunhas de acusação.

Após prestarem o compromisso de dizer a verdade, prestaram depoimento o médico-legista João Batista Rodrigues Júnior, do Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte, além do coronel Eduardo Ângelo Gomes da Silva e do capitão Leonardo de Castro Farah, ambos do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

A sessão foi conduzida pela juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte.

Primeira testemunha ouvida no dia, João Batista Rodrigues Júnior é graduado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), além de especialista em estudos de criminalidade (2001) e mestre em ciências da saúde (2009) pela mesma instituição. É também autor de obras em medicina legal, professor universitário e médico legista do IML de Belo Horizonte, desde 1997.

João Batista ficou responsável pela organização dos trabalhos da equipe de médicos legistas dedicados ao rompimento da barragem da Vale, atuando como gestor do “Projeto DVI”. A sigla, em inglês, refere-se a Disaster Victim Identification (Identificação de Vítimas de Desastres), conjunto de procedimentos técnicos baseados em protocolos internacionais, usado na medicina legal, para identificar corpos em eventos catastróficos com múltiplas vítimas. O médico legista respondeu perguntas sobre a organização e desenvolvimento dos trabalhos periciais, estado dos corpos e identificação das vítimas.

A segunda testemunha ouvida foi o coronel Eduardo Ângelo Gomes da Silva. Atualmente na reserva, ele era, à época do fato, o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, tendo atuado no local do acidente desde sua ocorrência até janeiro de 2020.

Responsável pela coordenação operacional dos trabalhos de resgate, a testemunha constatou que a área impactada pela onda de rejeitos, cerca de 15 quilômetros, já indicava um número elevado de vítimas.

O bombeiro militar também respondeu a perguntas sobre a organização e a formação das equipes de resgate, o deslocamento de bombeiros de outros estados, a disponibilidade de equipamentos adequados, a colaboração da Vale nos trabalhos, além de questões sobre protocolos de proteção à saúde dos bombeiros militares que tiveram atuação direta no local.

A última testemunha do dia foi o capitão da reserva Leonardo de Castro Farah. Bombeiro militar com experiência nacional e internacional em gestão de desastres, é graduado em ciências militares com ênfase em gestão de catástrofes pela Academia da Polícia Militar de Minas Gerais (2009) e mestre em geotecnia de desastres naturais pela Universidade Federal de Ouro Preto (2017). No rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, atuou como comandante de operações de busca e resgate.

Ele informou que, após o rompimento da barragem, foram realizadas operações de busca ininterruptas por sobreviventes durante dois dias. Posteriormente, pela impossibilidade de se localizar pessoas com vida e pelos riscos do trabalho noturno, as buscas continuaram apenas durante o dia.

O capitão da reserva ainda respondeu perguntas sobre o Plano de Ação de Emergência de Barragem de Mineração (PAEBM), o desenvolvimento de uma “doutrina de resposta a desastres” após o Caso Brumadinho, além de questões sobre a saúde mental dos bombeiros militares.

Após as oitivas, ficou ajustado entre as partes e o juízo federal que a testemunha José Assunção Braga Neto será ouvida na próxima sexta-feira (10/4/2026), às 9h15. No mesmo dia, às 13h, será ouvida a testemunha Marta Aparecida Sawaya Miranda de Ávila.

Sobre as audiências

Ao todo, estão previstas 76 audiências, no plenário do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), com previsão de término em maio de 2027. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além da realização dos interrogatórios dos réus.

Todas as informações estão disponíveis no Portal do TRF6 no botão “Audiências Criminais de Brumadinho”.

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