TRF6 reúne magistrados, gestores e colaboradores para compartilhar boas práticas, discutir experiências e fortalecer a gestão das Unidades Judiciárias Descentralizadas, especialmente as Unidades Avançadas de Atendimento

O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) realizou, nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, o Encontro de Gestão das UAAs – Governança e Experiências, um espaço de diálogo, integração e compartilhamento de experiências relacionadas à gestão das Unidades Avançadas de Atendimento (UAAs).
O presidente do TRF6, desembargador federal Vallisney Oliveira abriu o Encontro com um histórico sobre as suas experiências com as UAAs, iniciando pelo período em que ainda era corregedor regional do TRF6. O magistrado destacou as diretrizes que nortearam os estudos, mapeamentos e a política de criação das UAAS que tinham como objetivo principal a cessação da competência delegada na Justiça Federal da 6ª Região, a capilarização da Justiça Federal, prioritariamente no norte do estado de Minas Gerais, com custo zero para o TRF6, chegando prioritariamente aos locais mais afastados e menos atendidos, instituindo uma cultura de cooperação interinstitucional, sustentável e colaborativa.
Vallisney Oliveira também agradeceu o apoio dos juízes(as) diretores(as) das Subseções Judiciárias e a acolhida ao projeto de instalação das UAAs e ressaltou que o modelo das UAAs deveria ser tratado por via de Lei, pois é um modelo inovador de justiça mais próximo do cidadão e humanizado, que reconhece os benefícios das ferramentas tecnológicas, mas ainda tem na presença a sua maior força.
Por fim, destacou que as UAAs foram principal vetor política de gestão do TRF6, tendo sido instaladas 26 UAAs, das quais 18 estão instaladas no Fórum da Comarca em cooperação com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Hoje, a Justiça Federal da 6ª Região com 46 UAAs.

Política de Governança
Durante o encontro foi apresentado a Política de Governança das Unidades Judiciárias Descentralizadas (PGV-UJUD), instituída pela Resolução Conjunta PRESI/COGER nº 27/2026. O normativo estabelece o modelo de gestão das UJUDs e regulamenta as modalidades de Unidade Avançada de Atendimento da Justiça Federal da 6ª Região (UAA-R6) e Ponto de Inclusão Digital da Justiça Federal da 6ª Região (PID-R6), além de instituir o Regime Jurídico de Cooperação Interinstitucional e o Sistema Integrado de Gestão das UJUDs (SIG-UJUD).
A Política de Governança das UJUDs inova ao direcionar o foco de atenção e gestão para os serviços, cria um ecossistema pensado para funcionar em rede de atendimento e centrais de serviços, construindo um sistema integrado sustentável, colaborativo, dedicado à macrogestão de dados, integração em rede, cooperação interinstitucional, planejamento, monitoramento, transparência da informação, compartilhamento de experiências e melhoria contínua. O planejamento estratégico, a criação do Comitê Gestor como órgão colegiado representativo e os mecanismos de gerenciamento e acompanhamento constitui a tônica da Política de Governança, e está organizado em três eixos — Diretor, Estruturante e Gestor — e prevê instâncias estratégica, correcional e executiva para o funcionamento do Ecossistema UJUD.

Funcionamento em Rede de Atendimento e a Central de Serviços do Sistema de Solução Consensual
O juiz federal Itelmar Raydan Evangelista, coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (NUPEMEC), destacou a importância de estabelecer a cultura da conciliação pré-processual e durante o processo, esclarecendo que a Unidade do NUPEMEC/CEJUSC, braço da Coordenadoria Regional de Solução Adequada de Controvérsias (COJUS), dispõe de estrutura e suporte do serviço de conciliação, de modo que está apta para formular projeto piloto destinado à integração no ecossistema UJUD.
O juiz federal José Carlos Machado Júnior, diretor do Foro da Seção Judiciária de Minas Gerais, destacou três pilares da Política-Administrativa das UAAs: a legitimação do TRF6 com a interiorização no Estado; o acesso à justiça com a promoção do atendimento ao jurisdicionados; e o aporte financeiro no impacto do PIB dos municípios atendidos pelas UAAs com a entrega da prestação jurisdicional dos benefícios previdenciários.

UAA representa a dimensão do processo humanizado
O secretário-geral da Presidência, juiz federal Antônio Francisco do Nascimento, ressaltou o fenômeno da virtualização dos processos judiciais e o emprego da tecnologia que permitiu a descentralização das unidades judiciais e a capilaridade do acesso à Justiça Federal, constituindo uma ferramenta de auxílio na eficiência, ao tempo em que proporcionou o distanciamento das pessoas.
As modalidades de UJUDs tem um papel de função político-social primordial e convergente para restabelecer o relacionamento humanizado com a presença física da estrutura no atendimento, em especial aqueles mais vulneráveis, fortalecendo assim a identidade institucional e a geração de valor público dos serviços forenses.
Instrumentos de Gestão
Durante o Encontro também foi apresentada a Plataforma Matriz de Gestão e Transparência, central de inteligência do ecossistema das UJUDs, que reúne dados de diversas fontes e naturezas, consolidando-os em BI, gráficos, estatísticas e informações apresentadas em níveis gerenciais, constituindo ferramenta de coleta, integração, inteligência e transparência, e valorizando também a experiência do usuário para o aperfeiçoamento do sistema.
A nova Política representa um importante marco para a consolidação de um modelo de gestão integrado, estruturado e sustentável das UAAs. Entre seus objetivos estão a promoção da identidade institucional e do valor público dos serviços forenses, o fortalecimento da interiorização e a ampliação do acesso à Justiça Federal.
A iniciativa está alinhada à própria concepção do novo modelo de governança, que prevê o aperfeiçoamento contínuo do Ecossistema UJUD. Nesse contexto, o encontro reforçou a relevância da atuação colaborativa entre as diferentes instâncias do TRF6, dando aos diversos atores setoriais papéis de relevância e destaque.
O evento foi organizado pela Presidência do TRF6 e pela Secretaria-Geral da Presidência (SEGEP e CGJUD). Mais do que apresentar novas diretrizes, o encontro reafirmou a importância de construir a gestão das UJUDs de forma colaborativa, integrada e orientada por resultados, valorizando o conhecimento produzido pelas equipes que atuam diretamente nas unidades e transformando experiências bem-sucedidas em referências para toda a rede.
Participaram do Encontro de Gestão das UAAs o presidente do TRF6, desembargador federal Vallisney Oliveira; o secretário-geral da Presidência e coordenador do Projeto das UJUDs, juiz federal Antônio Francisco do Nascimento; o juiz federal José Carlos Machado Júnior, diretor do Foro da Seção Judiciária de Minas Gerais; o juiz federal Itelmar Raydan Evangelista, coordenador do NUPEMEC; o juiz federal Ronaldo Santos de Oliveira, juiz auxiliar da Coordenação dos Juizados Especiais Federais do TRF6; o juiz federal Mauro Henrique Vieira, diretor da Subseção Judiciária de Uberaba; os servidores Sheila Melissa Ávila Teixeira, coordenadora da Coordenadoria de Governança e Gestão Estratégica de Unidades Judiciárias Descentralizadas (CGJUD); Raimundo do Nascimento, diretor da SECAD, Haroldo Ferri, diretor do CEJUSC BH; Márcia Renata de Oliveira Moronda Ponsá, diretora da Subsecretaria Judiciária da Administração do Foro.
