
Uma situação real de assédio, simulada no palco, e que pode perfeitamente ser a rotina de muitos trabalhadores. Com essa premissa de impacto, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) abriu, por meio de sua Escola da Magistratura, a Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação pelo Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) nesta segunda-feira (25/5/2026). O evento utilizou uma peça de sociodrama como ferramenta central para expor dinâmicas de poder abusivas. Durante a simulação, o público participante foi convidado a participar e buscar soluções para a situação exposta.
O que foi apresentado no teatro é um reflexo contundente da vida real. Uma realidade que, muitas vezes, é ainda mais severa, prolongando-se por anos e resultando no profundo adoecimento físico e mental de quem a vivencia.






Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação reúne autoridades e lança ferramentas de prevenção ao assédio
A Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação reúne autoridades, magistrados e servidores para acompanhar ações desenvolvidas especialmente para abordar o tema. Nos primeiros dias do evento, além de palestras conduzidas por magistrados e especialistas, destacaram-se o lançamento do protótipo do aplicativo “Voz contra o Assédio” e a versão física da Cartilha Informativa sobre Prevenção ao Assédio e à Discriminação, recursos que visam ampliar o acesso a orientações e mecanismos de denúncia.
A programação reúne palestras, rodas de conversa, debates e atividades educativas conduzidas por magistrados, especialistas, representantes institucionais e profissionais de diversas áreas.
Compromisso com a dignidade
A programação busca fortalecer uma cultura de integridade e acolhimento.
Ao incentivar reflexões sobre respeito e ética nas relações profissionais, o TRF6 reafirma seu compromisso em prevenir práticas que violam a dignidade humana, transformando o ambiente de trabalho em um espaço mais seguro e justo para todos.
A Arte como espelho e alerta
Segundo a diretora e condutora do espetáculo, Élida Strazzi, a intervenção teatral funciona como um "treino de papel", permitindo que o público não apenas assista, mas reconstrua as cenas e discuta soluções para problemas complexos como o assédio moral e sexual.

Para a diretora teatral, embora as cenas sejam preparadas previamente para evitar a exposição direta de traumas da plateia, a identificação dos presentes é imediata. "A técnica consiste em "estourar" a realidade, salientando os fatos de forma didática para que as pessoas consigam identificar condutas abusivas que, no cotidiano, aparecem normalmente", explicou.
De acordo com ela, é comum que servidores se conectem emocionalmente com as cenas, percebendo nelas situações idênticas às que enfrentam ou observam no ambiente institucional. "Essa percepção é o primeiro passo para romper ciclos de violência que podem perdurar por anos se não forem confrontados", alertou a diretora.

Assédio moral no ambiente de trabalho
O assédio moral no ambiente de trabalho ocorre quando há exposição repetitiva e prolongada de uma pessoa a situações abusivas, constrangedoras ou humilhantes, geralmente praticadas por superiores hierárquicos ou colegas.
Essas condutas podem envolver sobrecarga de tarefas, ameaças veladas, desqualificação constante do trabalho, isolamento, ironias frequentes ou a imposição de metas impossíveis, criando um ambiente hostil e desgastante.
Identificar o assédio moral exige atenção à repetição e à intencionalidade das ações
Não se trata de um conflito pontual, mas de um padrão contínuo de comportamento que compromete a dignidade, a saúde emocional e o desempenho profissional da vítima.
Entre os sinais mais comuns estão a sensação persistente de medo ou insegurança no ambiente de trabalho, queda de autoestima, ansiedade, estresse constante, além de sintomas físicos como insônia e dores recorrentes.
Busca de apoio institucional
Diante de situações assim, é importante buscar apoio institucional e registrar as ocorrências sempre que possível.
No Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), os servidores podem recorrer à Ouvidoria, à Comissão de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação, ao setor de gestão de pessoas e, em casos mais graves, à Corregedoria.
Canal de Denúncias
As notícias de assédio poderão ser apresentadas por qualquer pessoa que se sinta alvo de assédio ou discriminação no trabalho; ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento de fatos que possam caracterizar assédio ou discriminação no trabalho.
Esses canais são responsáveis por receber denúncias, garantir sigilo e encaminhar as apurações necessárias, além de orientar a vítima sobre medidas de proteção e suporte.
